Curso de Jornalismo realiza debate interdisciplinar sobre adoção

Na última terça-feira (5) de abril, o curso de Jornalismo do UniBrasil Centro Universitário, realizou o evento “Adoção: uma visão interdisciplinar”. Organizado pelos alunos do 7° período do curso, o encontro realizado no auditório Edla Van Steen (Bloco 1), teve como objetivo debater o tema da adoção de crianças e adolescentes a partir da perspectiva do Direito, da Psicologia, do Serviço Social e do Jornalismo. A mesa de debates foi composta pela jornalista da RPC Tv, Adriana Milczevsky, pela psicóloga da ONG Recriar, Ana Lúcia G. Cavalcante, e pelas professoras do UniBrasil, Marta Marília Tonin, do curso de Direito e Fernanda Camargo, do curso de Serviço Social.

Ana Lúcia apresentou em sua fala o problema da falta de interesse dos futuros pais  pelas crianças com idade acima dos oito anos. “Nós temos dados que apontam que 97% das pessoas aceitam crianças até os oitos anos de idade, mas as de nove para cima não. Sendo que essa criança também está apta para ser adotada”, explica à psicóloga.

Segundo a jornalista Adriane Milczevsky, mãe adotiva de duas crianças (oito e dois anos), e vice-presidente do Grupo de Apoio de Adoção Consciente, é necessário provocar o debate sobre adoção. “O meu envolvimento com a adoção se da a partir da construção da minha família. Eu me preparei para ser mãe e a partir dali eu percebi que havia a possibilidade, como jornalista, de contribuir, ou seja, realizar uma ponte entre o mundo da família adotiva e a sociedade”, explica. Adriane acredita que o tema tem que ser debatido, principalmente para pessoas que não querem adotar. “Hoje o mais importante pra gente mudar o conceito de família é falar com as pessoas que não querem adotar. Falar de adoção de uma maneira tão leve, tão livre, que faça que as pessoas também vivam a adoção dessa forma, no dia dia delas, para diminuir o preconceito com a família adotiva e com a origem do filho adotivo”, afirma.

Para a professora Marta Marília Tonin, do curso de Direito, o Direito não tem a última palavra para dizer o que é melhor para uma criança, um juiz quando vai sentenciar tem que ouvir também a equipe técnica, formada por psicólogos e assistentes sociais. Consideradas, segundo a professora, de fundamental importância para subsidiar a decisão de um juiz. “Esse é um tema bastante emergente e atual que precisa ter um enfoque da leitura e da fala de várias ciências e áreas do conhecimento. Por isso a importância da interdisciplinaridade para debater o assunto”, acrescenta.

A professora do UniBrasil e assistente social do Tribunal de Justiça do Paraná, Fernanda Camargo, explica como funciona a questão da destituição da criança. “Trabalhando durante quatro anos no Tribunal percebemos a ausência que as famílias passam. Que famílias são essas que possuem a destituição do poder familiar, que é o direito sobre aquela criança ou adolescente. De que forma essas famílias foram recebidas nos serviços de acolhimento, de saúde e de assistência social”, afirma. Fernanda ainda explica a atuação da assistente no processo das famílias. “A gente tem trabalhado numa perspectiva de fazer uma articulação com os serviços da rede para que não ocorra à destituição do poder familiar”, finaliza.

O evento é parte das atividades elaboradas na disciplina Laboratório de Assessoria de Imprensa, do curso de Jornalismo, que tem como cliente nesse semestre o Recriar – Família e Adoção. Para a professora  que ministra a disciplina de Assessoria, Elaine Javorski, a discussão interdisciplinar, do ponto de vista acadêmico é bastante relevante. “É importante para que os alunos conheçam e se aproximem de outros campos do conhecimento, além de ser uma forma de criar um vínculo social com as problemáticas existentes na sociedade”, opina.

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