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A Sociedade Enfrenta a sua Mídia em conversa com pesquisador
Incluido por: criselli
Data: 2/10/2008


Ao conversar sobre a mídia com o professor e pesquisador José Luiz Braga, fazemos parte do sistema de resposta social. Essa é uma das lições que se pode levar da palestra que Braga proferiu na noite dessa quarta-feira, no Auditório Edla Van Steen, no Bloco 1, da UniBrasil, como parte do II Ciclo de Debates Sobre Jornalismo Novas Produções Universitárias, que nessa edição teve como tema "O Andar da Crítica – Atuações Qualificadas Sobre a Mídia".

O professor é um dos maiores pesquisadores na área de crítica midiática do Brasil e conversou com os alunos sobre os temas que estão no seu recente livro "A Sociedade Enfrenta a Sua Mídia – Dispositivos Sociais de Crítica Midiática" (Paulus). Braga teve oportunidade de explicar a amplitude do conceito de crítica, que vai além das publicações em jornal ou em universidades. A sociedade também é capaz de fazer a sua crítica, e não precisa de qualificação profissional para isso. "Se somente aqueles que estudam a Escola de Frankfurt estivessem capacitados a fazer crítica, estaríamos perdidos", brincou.

Assim, o que o pesquisador defendeu durante a palestra é que a sociedade, ao conversar sobre a mídia, também é capaz de fazer a crítica – e essa seria o que chama de "resposta social", um sistema complementar à produção e à recepção midiática, e caracterizada pela interação entre elas. O processo, para Braga, vai além da produção, e não acaba na recepção. "Também agimos em função daquilo que recebemos". Assim, não se trata de uma relação apenas informacional. Ao contrário, o processo depende também da circulação da informação e dos retornos da sociedade.

E a crítica poderia conseguir o efeito de alterar a própria produção. Braga citou como exemplo as colunas de ombudsman nos jornais, em que a crítica tem capacidade de mexer na rotina do veículo de maneira muita clara. Outras vezes, no entanto, essa resposta não seria tão mensurável, e muitas vezes seria difusa, e demorada. Mas a grande questão seria, então, como tornar a crítica da sociedade mais qualificada, para que também a produção ganhe em qualidade e, conseqüentemente, a mídia se aperfeiçoe. O pesquisador então lamentou a situação em que se encontra a educação no Brasil, justificando que, do jeito que está, a capacidade crítica da população se torna reduzida, o que tem reflexo direto na qualidade dos produtos midiáticos que consumimos.

Braga, que é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos/RS, respondeu a perguntas de alunos e professores da UniBrasil, sobre assuntos que foram desde o programa CQC – importante canal em termos de crítica – até o uso de novas mídias, como os blogs – ferramenta de impacto menor, mas com resultados igualmente interessantes. Destacou-se também que a crítica, para ser produtiva, não precisa se preocupar em convencer o público, mas sim em permitir que ele entenda as lógicas do processo de produção, para então formular julgamentos por si só. O pesquisador destacou ainda a necessidade de que se forneçam elementos para que se torne possível realizar uma crítica social qualificada, de boa circulação e com efeitos qualitativos na produção.

O II Ciclo de Debates encerrou nesta quinta-feira, com a palestra, às 9h, da jornalista Angélica Coronel, da TV NBR, de Brasília. A convidada discutiu, no auditório do Bloco 4, "Uma TV em busca do (interesse) público: tensões e atuações de reportagem entre modelos de gestão da televisão brasileira". O ciclo contou, também, com a presença do professor Carlos Rocha (UFPR), que falou sobre “Proposta, pertinência e viabilidade de uma rede para TVs e Rádios Universitárias”.

Reportagem: Henrique Luiz Fendrich, oitavo período de Jornalismo da UniBrasil.

Criselli Montipó

Braga respondeu a perguntas de alunos e professores da UniBrasil, sobre assuntos que foram desde o programa CQC até o uso de novas mídias

 

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