Experiência levou estudante do 10º período de Direito a refletir sobre confiança, posicionamento e futuro profissional
Estar diante de outras pessoas, defender uma ideia e ocupar a tribuna. Para Anny Barros, acadêmica do 10º período de Direito do UniBrasil Centro Universitário, participar da Liga Paranaense de Júri Simulado foi mais do que uma experiência acadêmica. A atividade representou um desafio pessoal e uma oportunidade de começar a se enxergar como futura profissional.
“Foi uma experiência que exigiu preparação, posicionamento e, principalmente, coragem para estar ali e me colocar diante de outras pessoas. Mais do que simplesmente cumprir uma atividade da faculdade, eu realmente me desafiei a ocupar aquele espaço e dar o meu melhor”, conta.
Anny integrou a equipe do UniBrasil na competição como oradora. A Liga Paranaense de Júri Simulado reúne equipes de diferentes instituições de ensino superior em disputas que reproduzem a dinâmica de um julgamento pelo Tribunal do Júri. A atividade proporciona aos acadêmicos a experiência prática de diferentes funções relacionadas à atuação jurídica, além de desenvolver competências como argumentação, oratória, posicionamento e trabalho em equipe.
No retorno do UniBrasil à competição, após um período sem participação na Liga Paranaense, a equipe chegou às quartas de final. Na primeira fase, foram três disputas, com duas vitórias. À frente da equipe estiveram a professora Francieli Morbini e o professor Valmor, que acompanharam a preparação e o desempenho dos estudantes ao longo da competição.
Para Anny, a experiência também contribuiu para uma mudança na forma como ela percebe a própria formação.
“Como estudante que está chegando ao final da graduação, foi importante me enxergar também como futura profissional. O Direito exige conhecimento, mas exige também postura, comunicação, segurança e capacidade de defender uma ideia. O júri me mostrou justamente isso”, afirma.
Uma preparação que começa durante a graduação
A participação na Liga Paranaense é resultado de um processo de preparação desenvolvido dentro do próprio curso de Direito. Os estudantes que integram a equipe têm contato com a Clínica do Tribunal do Júri e participam de disputas internas antes de representar o UniBrasil em competições entre instituições.
Para integrar a equipe, é necessário ter passado pela Clínica e ter sido aprovado na atividade em algum momento dos cinco anos do curso. A seleção considera ainda o perfil dos estudantes e as competências que podem ser desenvolvidas durante a competição.
“É como se realmente a gente estivesse criando uma escola do júri dentro do curso de Direito do UniBrasil”, destaca Francieli.
Segundo a professora, a preparação contínua contribui para que os acadêmicos desenvolvam competências necessárias à atuação profissional e tenham contato com a dinâmica do Tribunal do Júri ainda durante a graduação.
Durante a edição deste ano, foi necessário reorganizar a equipe após alguns estudantes concluírem a graduação e colarem grau em agosto. A partir disso, novos acadêmicos foram selecionados para representar o UniBrasil nas etapas seguintes da competição.
Para Anny, a preparação foi fundamental para enfrentar o desafio da tribuna.
“Não existe posicionamento sem conhecimento e não existe segurança sem preparação”, destaca.
O desafio de ocupar a tribuna
Além das habilidades técnicas, a experiência levou Anny a refletir sobre confiança e pertencimento. Em uma publicação sobre a participação na competição, a estudante destacou o significado de se permitir ocupar um espaço de fala e atuação dentro do Direito.
“Foi sobre me permitir acreditar que eu também posso estar ali. Que eu não preciso esperar me sentir completamente pronta, perfeita ou suficientemente preparada para ocupar um espaço. Às vezes, a gente precisa primeiro ocupar para depois perceber que também pertence”, explica.
Durante a sustentação, uma fala da professora Francieli também marcou a estudante: “Não abaixe a cabeça para ninguém. Vai dar certo.”
“Eu estava ali, diante de várias pessoas, tendo que me posicionar e defender uma ideia, e ouvir aquilo me deu ainda mais força para continuar”, lembra.
A experiência fez com que Anny identificasse habilidades que considera importantes para a futura atuação profissional, como saber ouvir, argumentar, se posicionar e defender uma ideia.
“Essa experiência me mostrou que, mesmo com frio na barriga, eu posso levantar a cabeça e ocupar esse espaço”, afirma.
Mulheres também ocupam a tribuna
A participação feminina é outro aspecto valorizado pela equipe responsável pela Clínica do Tribunal do Júri. Nesta edição, além de Anny, também participaram as estudantes Cauane e Anne Marie.
Para Francieli, a presença das acadêmicas contribui para ampliar a representação feminina em uma área de atuação que, segundo sua percepção profissional, ainda apresenta maior presença masculina.
“Quando nós observamos que esse espaço também deve e é, de fato, ocupado por mulheres, eu acho que isso tem uma representatividade muito grande, muito importante”, afirma.
Francieli, que atua à frente da Clínica do Tribunal do Júri e também trabalha no Tribunal do Júri, destaca a importância de as estudantes encontrarem referências femininas nesses espaços.
“Estar à frente da Clínica do Tribunal do Júri, na condição de mulher, da mulher que faz Tribunal do Júri, da mulher tribuna, eu acho que é importante até para realmente motivar as nossas alunas de que esse espaço também é um espaço feminino que lhes pertence”, ressalta.
Para a professora, a presença das estudantes pode contribuir para que outras acadêmicas reconheçam possibilidades de atuação profissional.
“Cada vez mais, professoras ocupando esses espaços, advogadas ocupando esses espaços. Eu acho que realmente é por aí. É no exemplo que a gente motiva”, afirma.
Uma experiência que segue para além da competição
Ao final da experiência, Anny reconhece que a participação no Júri Simulado representa uma etapa de sua formação profissional.
“O caminho ainda é enorme, e eu mesma estou apenas começando. Mas aprendi que a gente precisa se permitir estar nesses lugares, aprender, errar, melhorar e voltar ainda mais preparada”, afirma.
Para a estudante, a presença de mais mulheres nesses espaços também pode contribuir para que outras acadêmicas reconheçam que podem construir suas próprias trajetórias no Direito.
“Nós também pertencemos. E quanto mais mulheres ocuparem esses espaços, mais natural será para as próximas acreditarem que também podem estar ali”, finaliza.

