Aula Magna de Psicologia com Peter Pál Pelbart

O Curso de Psicologia do UniBrasil Centro Universitário fará na noite de 30 de agosto, às 19 horas, no Auditório Cordeiro Clève, a cerimônia de encerramento de sua Jornada Acadêmica com a realização de uma Aula Magna que faz jus completamente à denominação. O professor convidado para proferi-la é Peter Pál Pebart, que para muitos profissionais e estudiosos de Psicanálise, Psicologia e Filosofia dispensaria apresentações.

“Formado em filosofia pela Universidade Paris 4 (Sorbonne), com doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) sobre o tempo na obra do filósofo francês Gilles Deleuze, professor titular no Departamento de Filosofia da PUC–SP e autor de vários livros sobre temas contemporâneos, ainda assim Peter Pál Pelbart, húngaro radicado em São Paulo, impõe certa resistência quando alguém o define como filósofo. Talvez seja pela vasta rede de conexões em que se encontra ligado: para além da temática do tempo, tradicional na filosofia, ele também se dedica às questões da loucura e da subjetividade, sempre imersas na política. Tudo isso acaba por desaguar no outro espaço em que leciona, o Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP, e ainda nutrir sua faceta de ativista, num movimento que parece seguir de Gilles Deleuze a Félix Guattari, o psicanalista e militante político que se tornou parceiro de Deleuze em obra inaugurada com O anti-édipo”.

Sua vinda é apoiada pela Associação Psicanalítica de Curitiba, e pelo Conselho Regional de Psicologia, pois além de excelente palestrante, professor Peter Pál também está à frente da n-1 edições, que atualmente publica alguns dos melhores autores da área, e que é por ele considerada um dispositivo maravilhoso para operar conexões no campo da micropolítica; e o contexto político brasileiro também faz parte da pauta. Ele virá, também, para o lançamento curitibano de seu livro “O avesso do niilismo – Cartografias do esgotamento” que foi lançado em outubro de 2013 – e reeditado agora. Neste período, o país virou de ponta-cabeça, e a questão abordada parece ter se tornado criticamente evidente. Mesmo sendo um livro de filosofia, parece que o problema do esgotamento é algo muito nosso e atual.

Em suas palavras: “Qualquer livro é sempre datado, num certo sentido–, mas me obrigou a uma reavaliação do seu sentido neste momento. De fato, a primeira edição foi no ano em que estouraram as manifestações de 2013, quando alguma coisa tinha, por assim dizer, se esgotado na matriz política de então – o sistema de representação, um certo mecanismo político vigente, tudo parecia fazer água por todos os lados. A presença de milhares de pessoas na rua fazia crer que esse esgotamento tinha se explicitado. Como se o horizonte tivesse se desanuviado e ali, na imaginação política da juventude e de movimentos afins, o campo do possível tivesse sido reaberto. Chegamos a 2016 com o panorama absolutamente distinto. Na minha, digamos, ousadia interpretativa, eu até diria que tudo o que ocorreu nesses anos – quando entramos num momento de absoluta regressão, como se a direita tivesse saído do armário, nessa espécie de cruzada contra tudo que tinha sido conquistado –, cheguei a entendê-lo como uma reação a 2013. Tudo o que tinha se escancarado em 2013 tinha que ser colocado de volta, à força. No livro há uma tentativa de pensar essa conexão entre abertura e fechamento, fechamento e abertura”.

Em entrevista de 2017 ao jornal O Globo, Peter Pál declarou: “O esgotamento tem algo de positivo: em certos pontos, nos permite largar alguma coisa, em vez de querer restaurar, colar os cacos e conservar o velho. Precisamos largar algo que de fato caducou, e detectar novos movimentos e experimentações, que às vezes passam pela arte, política, clínica e filosofia. Em todos esses domínios, algo vai se experimentando, e eu diria que são tentativas de forjar outras maneiras de viver junto, de pensar.

O que eu consigo enxergar não é uma resposta para isso, mas sim várias tentativas de experimentar uma nova relação consigo, com o entorno, com os poderes e com o próprio corpo. Não sei se é propriamente se libertar, porque não haveria um estado de liberdade absoluta. Acho que estamos num momento em que essas utopias mais paralisam do que realmente nos ajudam a pensar em saídas (..). é que movimentos estão se articulando de forma mais interessante e vital. Essa cartografia tem que ser feita o tempo todo. Teríamos que retrabalhar a nossa percepção, inclusive para remover todos os clichês que estão grudados na gente e que nos dizem, por exemplo, o que é amor, felicidade, vida boa e beleza. Esses clichês produzem uma percepção e um ideário que precisam ser postos em cheque”.

Pensador original e instigante, tê-lo entre nós será importante na formação de estudantes e no estímulo à produção intelectual de docentes e profissionais da área.

Texto: Wanda Camargo.

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