A pesquisadora Silvia Turra Grechinski, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Direito do UniBrasil, transformou sua pesquisa em uma jornada que atravessa fronteiras, conecta realidades distintas e coloca no centro do debate uma questão urgente: como garantir, na prática, os direitos das pessoas trans. Primeira estudante do PPGD a realizar um doutorado-sanduíche, Silvia levou sua investigação para Angola e Canadá, consolidando uma experiência internacional inédita no programa.
Advogada desde 2005, pesquisadora desde 2012 e professora universitária desde 2014, Silvia construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com justiça social, gênero e direitos fundamentais.
Em 2024, foi em Luanda, capital de Angola, que sua pesquisa ganhou novos contornos. A partir do convite de uma organização da sociedade civil, Silvia mergulhou em uma realidade desafiadora, marcada por lacunas legais e pela ausência de políticas públicas específicas.
“Estar em Angola foi mais do que pesquisar. Foi ouvir, observar e compreender uma realidade que não pode ser analisada a partir de parâmetros externos”, relata. “Ali, eu entendi, na prática, que o Direito, quando não dialoga com a vida real, se torna insuficiente.”
Durante o período, ela se reuniu com representantes institucionais, organizações sociais e docentes, analisando o ordenamento jurídico local e propondo caminhos possíveis, como a criação de protocolos com perspectiva de gênero. A experiência também abriu portas para o futuro: o UniBrasil negocia um acordo de cooperação acadêmica com a Universidade Católica de Angola (UCAN), fortalecendo os laços internacionais do programa.
Meses depois, a pesquisa seguiu para outro cenário, Montreal, no Canadá. Como bolsista CAPES em seu doutorado-sanduíche na Concordia University, Silvia encontrou um contexto de maior desenvolvimento normativo, mas não livre de desafios.
“No Canadá, existe um reconhecimento jurídico mais estruturado, mas isso não significa que os direitos estejam plenamente garantidos”, explica. “A lei, por si só, não transforma realidades. É preciso política pública, investimento e escuta ativa das comunidades.”
Entre aulas, grupos de pesquisa e análises de políticas públicas, Silvia aprofundou sua investigação e iniciou uma comparação entre diferentes contextos, Brasil, Angola e Canadá, revelando que, apesar das diferenças, há um ponto em comum: a distância entre o direito formal e a vida concreta das pessoas.
Para ela, a internacionalização não é apenas uma etapa acadêmica, mas uma mudança de perspectiva. “A experiência internacional ensina que não existem respostas prontas. Cada realidade exige cuidado, diálogo e respeito às suas próprias histórias”, afirma. “Não se trata de importar modelos, mas de construir soluções a partir das vivências locais.”
Sua tese, que propõe repensar o Direito a partir das experiências reais das pessoas trans, ganha ainda mais força com essa vivência. Mais do que um estudo acadêmico, trata-se de um projeto de transformação.
A trajetória de Silvia Turra Grechinski não representa apenas uma conquista individual. Ela marca um avanço significativo para o UniBrasil, ampliando horizontes, fortalecendo a internacionalização e reafirmando o compromisso da instituição com uma produção de conhecimento conectada com a realidade e com a promoção dos direitos humanos.
“Eu acredito em um Direito que escuta, que acolhe e que transforma”, finaliza. “E é isso que eu busco construir, dentro e fora do Brasil.”

