Horas de sono a menos, soluções viáveis para problemas de mobilidade e resíduos

Mais de 70 jovens, mais de 15 horas, 2 desafios e 1 compromisso: fazer a diferença. Esses são alguns dos números do Climathon Curitiba, que reuniu, nos dias 25 e 26 de Outubro de 2019, estudantes e profissionais de diversas áreas, a fim de pensar soluções sustentáveis para os problemas climáticos do planeta. Os participantes encararam uma maratona que começou na noite de sexta-feira (25) e teve fim apenas no início da tarde de sábado (26). Fim, não! Esta foi apenas a primeira fase de um programa mundial que, segundo estimativas dos organizadores, somou em torno de 15 mil pessoas. Nesta primeira etapa local, duas equipes foram premiadas e concorrem, então, à premiação global.

A maratona pelo clima acontece em vários países desde 2015. Esta é primeira edição realizada no Brasil, tendo a capital paranaense como anfitriã. Neste ano, 145 cidades de 56 países participaram simultaneamente, número recorde. “Nosso objetivo é criar soluções em conjunto. O foco do Climathon são as mudanças climáticas, desde a origem do problema. Podemos negar origem, mas não podemos negar consequência. O fato é que o planeta está sofrendo uma série de mudanças que estão afetando nossas vidas cada vez mais”, afirma Rulian Maftum, Coordenador do Climathon Curitiba.

IMERSÃO 

No maior estilo “Uma noite no Museu”, os participantes se espalharam pela biblioteca e salas de aula da Unicesumar, em Curitiba, focados nas questões de mobilidade urbana e economia circular, os dois desafios da edição brasileira do Climathon. De formações variadas (arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, design de produtos, engenharias elétrica, civil, de produção, mecânica e florestal etc.), os maratonistas dividiram-se em 13 equipes e receberam, durante todo o evento, a mentoria de 15 profissionais. “Não estamos aqui para dizer o que eles devem fazer, e sim, orientá-los numa espécie de coaching sob medida para cada equipe”, explicou Pablo Esquivel, coordenador do Google Business Group Curitiba e um dos mentores do Climathon.

Os participantes foram recebidos com um coquetel na cozinha experimental do campus Curitiba da Unicesumar e partiram ao trabalho, ocupando os espaços do centro universitário. No meio da madrugada e ao raiar do dia, foram convidados a brincar um pouco para despertar, ao som de muita música animada para dançar e manter o ritmo durante as últimas horas da maratona. Alguns não resistiram e tiraram uma soneca revitalizante, para voltar com tudo e fechar os projetos, que foram apresentados ao grupo de avaliadores no fim da manhã de sábado.

VENCEDORES CLIMATHON CURITIBA 

A edição brasileira rendeu projetos criativos e viáveis, como lixeiras inteligentes aptas a reciclagem, logística reversa de embalagens de fast food, troca de resíduos plásticos por créditos no cartão da URBS (empresa que controla o sistema de transporte público de Curitiba), captação energética a partir de ônibus elétrico, calçadas modulares via reciclagem de pneus, aplicativo reunindo opções de modais urbanos com análise de melhor custo-benefício ao usuário, descarte correto de materiais escolares, dentre outros.

Após horas de pesquisa e desenvolvimentos, as equipes apresentaram os projetos em pitches de 5 minutos e foram avaliadas por profissionais de destaque em suas áreas. Os critérios gerais de avaliação envolveram potencial transformador da ideia, inovação e qualidade da apresentação.

A equipe Steps, formada por Adryel Otto, Aline Persona, Giorgio Lucas Pereira, Luã Henrique Zangrande e Reginaldo Pires, venceu o desafio de Mobilidade Urbana trazendo a ideia de que é possível ganhar dinheiro, prêmios e recompensas simplesmente… caminhando, pedalando ou utilizando o transporte público! A motivação para este projeto veio do fato de o Brasil ser o 5o país mais sedentário do mundo, a população em geral prefere se locomover pela cidade em veículos individuais. Percebemos a defasagem da mobilidade urbana, a alta emissão de CO2 e a falta de incentivo ao uso do transporte público, explica Aline Persona.

O grupo composto por estudantes de engenharia elétrica, design e um desenvolvedor de sistemas propôs um aplicativo de acúmulo de pontos para trocar por recompensas dos apoiadores do projeto. O acúmulo se daria na contagem de passos ou quilômetros pedalados. Um projeto de incentivo à saúde, à preservação do meio ambiente e, ao mesmo tempo, à movimentação da economia local.

No desafio de Economia Circular, a equipe Elos foi a vencedora. Formado por Luiza Oliveira Kossatz, Fernanda Modzinski Ferreira, Eduardo Kossatz Dalitz, Gabriely de Souza Tessari e Ellen Cristina Boza dos Santos, o grupo se preocupou com o fato de que “50% da alimentação humana mundial é, hoje, baseada apenas em milho, trigo e arroz, apesar de haver cerca de 8,7 milhões de espécies catalogadas no mundo. Acredita-se que, deste total, 300 mil tenham potencial alimentar. A gente não chega a utilizar 1% dessas espécies“, diz Luiza Kossatz. Como alternativa a uma maior riqueza de nutrientes e paladar, a equipe propôs o aplicativo Iplant, que atinge 6 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. 

O objetivo do Iplant é disseminar os conceitos de educação ambiental, estimular a agricultura urbana baseada no que se convencionou chamar PANCS (Plantas Alimentícias Não Convencionais), ampliar o mercado de alimentos saudáveis, manter a biodiversidade local (propor espécies da região, nativas), criar uma forma de produção e comércio conscientes e incentivar iniciativas como a das hortas comunitárias em Curitiba.

Segundo dados pesquisados pela equipe, Curitiba tem 28 hortas comunitárias espalhadas pela cidade, com apoio da prefeitura, porém mantidas pela população. “Esse dado já mostra que as pessoas estão interessadas em produzir o próprio alimentos”, Luiza Oliveira Kossatz. O aplicativo avançaria em 3 frentes: educação (informando sobre as PANCs, trazendo catálogo de espécies e ensinando sobre reciclagem e compostagem), produção (ensinando a produzir e cuidar de espécies) e rede de comunicação e comércio (troca de informação entre usuário e venda da produção).

Soluções de conectividade exigem esforço para causar impacto, em função da resistência geral a mudanças, principalmente na migração da população de uma alimentação com agrotóxicos para uma alimentação mais saudável. Caminhos difíceis, mas boas soluções”, avalia Ike Weber, Relações Institucionais da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, um dos jurados da banca final do Climathon.

SOLUÇÕES 

Entre as ideias desenvolvidas em anos anteriores pelo mundo está o aplicativo Foodshelf, criado no Climathon de Zurique, em 2016. O desafio apresentado pela organização era incentivar os cidadãos e as famílias a comprar e comer alimentos mais ecológicos e reduzir o desperdício. O app é uma espécie de “prateleira de alimentos”, em que um morador pode tirar uma foto de uma comida que tem em sua casa e não vai mais consumir, postar e o vizinho interessado tem como solicitar o alimento gratuitamente. O aplicativo entrou no ar um ano depois em outubro de 2017 e está disponível para iOS e Android.

Em 2018, diante do desafio “Cerca de 20% das famílias na Cidade do México só têm acesso à água da torneira por algumas horas por dia, e muitas delas pagam milhares de pesos para obter água limpa através de tanques de automóveis. Enquanto isso, 40% da água é perdida no sistema de tubulações. Como podemos melhorar essa situação?”, uma equipe do Climathon mexicano criou o Agua-Atl, um aplicativo que fornece informações para o cidadão comum sobre o impacto econômico da captação de água da chuva. Todas as soluções de anos anteriores podem ser conferidas no site oficial do Climathon. 

Fonte: 09/11/2019 – Texto escrito por Savannah | Comunicação Corporativa. 

Fotos: https://impacthubcuritiba.com/

 

 

 

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