Lindamir Casagrande é das homenageadas no Mulheres Paranaenses

Em 21 de março de 2019, às 19 horas no Auditório Cordeiro Clève, como já se tornou uma tradição no Mês da Mulher, o UniBrasil Centro Universitário homenageará mulheres que, com seu trabalho, empenho e dedicação auxiliam na construção do Estado do Paraná, com a realização de mais um Projeto Mulheres Paranaenses.

Nesta data, em que serão contempladas trabalhadoras de destaque em variadas atividades: artistas, empresárias, professoras, políticas, ativistas, todas profissionais de sucesso e importantes para o Paraná e o Brasil, a meta é pontuar a importância de todas as mulheres através destas representantes, e mostrar suas práticas laborais, de cultura, lazer e solidariedade. Cada Escola faz uma indicação de homenageada externa à instituição dentro de sua área de conhecimento, pessoas de relevância em nossa comunidade, como forma de posicionar o UniBrasil quanto à questão de gênero e demonstrar atenção ao trabalho feminino em nossa sociedade.

E a indicada da área de Educação é Lindamir Salete Casagrande, professora com pós-doutorado na área de gênero e educação da UTFPR, representante dos estudos de gênero e editora da revista Cadernos de Gêneros – um dos mais importantes no cenário brasileiro que aborda o tema; desbravadora na área de Tecnologia e Sociedade por debater a questão das mulheres na ciência.

Lindamir é licenciada em Ciências com Habilitação em Matemática, iniciou atuação docente na rede estadual do Paraná e logo passou a atuar como professora de matemática no CEFET-PR (hoje UTFPR). Aproximou-se aos estudos de gênero quando mudou para Curitiba e fez o mestrado em Tecnologia no PPGTE/UTFPR no qual defendeu a dissertação intitulada “Quem mora no livro didático? Representações de gênero nos livros de matemática na virada do milênio”. Posteriormente fez o doutorado em Tecnologia no qual defendeu a tese “Entre silenciamentos e invisibilidades: relações de gênero no cotidiano das aulas de matemática”.

Fez o pós-doutorado na UFBA, no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, período no qual pesquisou a inserção e permanência de mulheres em cursos de engenharia e licenciatura da UFBA e da UTFPR. O interesse em pesquisar gênero se deu pela vivência de desigualdades de gênero em seu cotidiano familiar e profissional. “Entender os motivos pelos quais estas desigualdades se mantem e até se asseveram na sociedade atual é fundamental para planejar ações que podem modificar esta realidade”.

Como pode ser percebido pelos títulos da dissertação e teses, mesmo pesquisando gênero a matemática continuou por perto. Hoje atua como professora voluntária no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE) no qual orienta pessoas que pesquisam as relações de gênero na sociedade atual.

“Como não sou casada e não tenho filhos, a conciliação de vida pessoal com profissional é tranquila. Não tenho que me dividir/conciliar. Tenho ciência de que vivo uma realidade diferenciada da maioria das mulheres, porém, minha história tem vantagens (não há necessidade de divisão/conciliação) e desvantagens (não viver a experiência da maternidade em suas alegrias e dores, por exemplo). A vida nos conduz por seus caminhos que são diversos. Sou uma pessoa caseira e dedico um horário para a prática esportiva. Costumo levantar cedo e ir logo para a academia e assim não tenho chance de arrumar desculpas para não me exercitar. Agora que me aposentei estou fazendo aulas de natação, que sempre tive vontade e nunca arrumei tempo, e retornei às aulas de pintura. Estou muito satisfeita com essas atividades. Faz bem para o físico e para a alma”.

“Vejo o mercado de trabalho futuro dentro de minha área com preocupação. Infelizmente a categoria docente está sendo atacada de forma covarde e injusta. Somos acusadas/os de doutrinação, de negligência, de vagabundagem, dentre outras difamações que impetram contra a categoria. Nos pintam como sendo o inimigo número um da família tradicional brasileira (O que é essa família tradicional? Este modelo ainda existe? Existe um só tipo de família?), quando, na realidade, somos nós que temos a incumbência de educar as novas gerações, coisa que muitos pais não têm feito. As/os professoras/es são responsáveis por denunciar em torno de 80% dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes que, na maioria dos casos, ocorrem dentro do ambiente familiar.

Os mesmos fundamentalistas, dentre eles políticos e religiosos, que nos atacam e acusam, violentam seus filhos e filhas, suas mulheres, destroem muitas vidas. Sofremos agressões físicas e morais no exercício da profissão. Muitas/os colegas estão adoecendo por causa deste cenário sombrio. Este panorama que se apresenta faz com que poucos jovens manifestem interesse por seguir na profissão. Cabe destacar que a docência é uma profissão fundamental para o desenvolvimento dos seres humanos como cidadãos e cidadãs capazes de agir e interagir em sociedade, capazes e interessados em fazer um mundo melhor”.

Mesmo assim, Lindamir, por outro lado, não esquece das alegrias da profissão: “quando encontramos ex-alunas/os em uma condição de vida melhor do que a de seus pais; quando os vemos defendendo os direitos humanos, defendendo as minorias temos a certeza que estamos no caminho certo. São estes exemplos que nos dão força e coragem para continuar”.

Aos jovens que têm a educação como ideal, professora Lindamir é firme, estimula-os para que sigam firme na busca de seus objetivos. Segundo ela, nenhum caminho é fácil, mas formar pessoas e contribuir para o desenvolvimento de seres humanos é uma das tarefas mais lindas.

A eles, recomenda: “Busquem uma formação sólida na sua área, mas não se esqueçam que na sala de aula vocês vão encontrar pessoas com amores e desamores, dificuldades e facilidades, trajetórias de vida, sonhos, esperanças e desesperanças distintas e é essa diversidade que torna a vida mais bela. Lembrem-se que não são os ‘bons’ alunos/as que precisam da nossa atenção. Eles são capazes de seguirem seus caminhos por si só. Quem mais precisa de nós, são os/as estudantes com dificuldades de aprendizagem e de relacionamentos, então olhem para estes/as com carinho e dediquem tempo para que eles/as se sintam incluídos/as e amparados/as. Não olhem para seus alunos e alunas como um número e sim como um ser completo. Isso te fará um/a profissional melhor e uma pessoa mais feliz”.

Lindamir é considerada uma professora excelente, atenta aos estudantes, dedicada ao magistério e ótima colega de trabalho, o UniBrasil fica honrado com sua presença.

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