Dra. Luciana Salini Abrahão Pires participou do 1º Congresso Brasileiro de Saúde Única e do 2º Congresso Latino-Americano de One Health e One Welfare, em Porto Alegre, acompanhada de estudante de Medicina Veterinária
A Dra. Luciana Salini Abrahão Pires, médica-veterinária, doutora em Saúde Única e professora do curso de Medicina Veterinária do UniBrasil, participou de dois eventos científicos realizados em Porto Alegre (RS), entre os dias 20 e 22 de agosto. Durante o 1º Congresso Brasileiro de Saúde Única e o 2º Congresso Latino-Americano de One Health e One Welfare, a docente apresentou dois trabalhos desenvolvidos a partir de projetos de extensão da instituição. A estudante Mirella Cristina Cionec de Carvalho, integrante de um dos trabalhos, também esteve presente no congresso e participou da apresentação da pesquisa.
A Saúde Única (One Health) reconhece a relação entre a saúde humana, animal e ambiental, destacando a importância da atuação integrada entre diferentes áreas. Os trabalhos apresentados refletem essa perspectiva ao aproximar a formação acadêmica de ações de extensão e educação em saúde.
Pesquisa realizada por estudantes de Medicina Veterinária analisa conhecimento da população sobre zoonoses
Um dos trabalhos apresentados foi “Percepção da População sobre Zoonoses e Guarda Responsável: uma análise sob a ótica da Saúde Única”, desenvolvido a partir de uma atividade do PROEX com estudantes do 3º período noturno de Medicina Veterinária.
O estudo teve como objetivo analisar o conhecimento da população sobre zoonoses e sua relação com a guarda responsável. Para isso, os estudantes elaboraram um questionário aplicado a 155 pessoas em um centro comercial de Curitiba.
Entre os resultados, 60% dos participantes afirmaram conhecer o termo zoonose, mas apenas 52% demonstraram compreender seu significado. O levantamento também apontou que 45,5% dos responsáveis realizam acompanhamento veterinário regular dos animais e 74,5% seguem o calendário anual de vacinação.
Outro dado de destaque está relacionado aos gatos: 37,5% dos responsáveis permitem que os animais tenham acesso à rua. O resultado chama atenção especialmente em relação à esporotricose, uma das zoonoses abordadas na pesquisa e que apresentou o menor índice de conhecimento entre as doenças avaliadas.
Entre os participantes, a raiva foi a zoonose mais conhecida, com 98% de reconhecimento, seguida por leptospirose (86%), toxoplasmose (64%), leishmaniose (46%) e esporotricose (31%).
A pesquisa também identificou as principais fontes utilizadas pela população para buscar informações sobre os cuidados com os animais. 40% dos entrevistados recorrem a médicos-veterinários, enquanto 32% buscam informações na internet.
Para a Dra. Luciana, os resultados reforçam a necessidade de ampliar as ações de educação em saúde e orientação da população.
“Existe uma falta de informação das pessoas em relação a como devem cuidar desses animais e até mesmo sobre o que sabem a respeito das zoonoses. A gente vê que existe uma necessidade de trabalhar com a educação da população”, explica.
O trabalho foi elaborado com a participação das estudantes Mirella Cristina Cionec de Carvalho, Liorana Coleri, Letícia Campos e Mili Pereira da Cunha, que contribuíram para a elaboração do resumo e para a análise dos dados. Mirella também esteve presente em Porto Alegre durante o congresso, representando a equipe de estudantes envolvida na pesquisa e participando da apresentação do trabalho, juntamente com a Dra. Luciana.
O segundo trabalho apresentado foi o relato “Educação Ambiental nas Escolas: uma ferramenta essencial dentro da abordagem de Saúde Única”, projeto de extensão desenvolvido desde 2022.
A iniciativa surgiu a partir da proposta de uma estudante egressa de Medicina Veterinária, que realizava estágio na área de educação ambiental da Prefeitura de Curitiba. A partir da ideia, foi estruturado um projeto voltado à educação de estudantes do ensino fundamental sobre temas relacionados à Saúde Única.
Desde sua primeira edição, o projeto reúne diferentes áreas do UniBrasil. Inicialmente, contou com a participação da Pedagogia, abordando temas relacionados à prevenção de zoonoses, como raiva, leptospirose e esporotricose.
As atividades são realizadas com estudantes da Escola Maria Balbina, localizada próxima ao campus, utilizando metodologias ativas. Os universitários desenvolvem folders, cartazes, aulas interativas, quizzes e jogos para trabalhar os conteúdos de forma acessível e participativa.
Em 2024, o projeto foi ampliado com a participação da Enfermagem e da Engenharia Ambiental, fortalecendo a integração entre saúde humana, animal e ambiental. Em 2025, as atividades abordaram a giardíase.
A experiência também foi submetida a uma competição internacional promovida pela One Health Commission, com materiais produzidos pelos estudantes em inglês para a participação na iniciativa.
Em 2026, o projeto de Educação Ambiental nas Escolas passa a integrar o Programa de Saúde Única do UniBrasil, que amplia a participação de diferentes cursos. Neste ano, estudantes de Medicina Veterinária, Enfermagem, Biomedicina e Farmácia participam da iniciativa.
A temática trabalhada será a resistência antimicrobiana, inserida na perspectiva da Saúde Única.
O programa também prevê novas iniciativas, como o projeto de podcast em Saúde Única, desenvolvido em parceria com a professora Marlise, da Enfermagem. A proposta é reunir projetos de diferentes áreas dentro de um mesmo programa institucional e incentivar a participação de outros professores interessados na temática.
A apresentação do projeto no congresso em Porto Alegre também abriu espaço para uma nova oportunidade internacional. O resumo do projeto de Educação Ambiental nas Escolas foi submetido a uma chamada destinada a trabalhos da América Latina para o International One Health Symposium, que será realizado em Berlim, na Alemanha, em outubro.
A Dra. Luciana foi contemplada com uma das dez bolsas destinadas a trabalhos da América Latina, com custeio de passagem, estadia e alimentação. Além da apresentação de um pôster, a professora foi convidada para realizar uma apresentação oral sobre o projeto desenvolvido.
Durante a viagem, a professora também terá dois dias adicionais para visitar instituições de ensino e pesquisa em Berlim. A proposta é conhecer universidades e estabelecer contatos que possam contribuir para futuras parcerias e trabalhos colaborativos internacionais.
“Essa ida para a Alemanha, além de levar a nossa experiência com esses projetos de extensão, vai permitir que a gente possa, de repente, ter algum trabalho colaborativo internacional”, destaca a professora.
A participação em congressos nacionais e a oportunidade de apresentação em um simpósio internacional reforçam a contribuição dos projetos desenvolvidos pelo UniBrasil para a formação dos estudantes e para a discussão de temas relacionados à saúde humana, animal e ambiental, fortalecendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão.


